Bem Vindo às Minhas Insanidades!!!

Estou consciente de algo em mim: Dê-me papel e caneta, e terei a honra de lhe reapresentar o mundo, através de minhas lentes, com um pensamento feminino ativo que vê o mito e a magia como algo certo e empírico, e que de vez em quando chupa as bolas do Deus Ciência.

Dentro de uma só Mulher, moram várias mulheres. Essas mulheres dialogam entre si, em busca de sua unidade e sobrevivência.

Quero falar sobre Essas mulheres (e não só as minhas personas) mas, as outras mulheres no mundo, enfrentando, ou se sujeitando a Lei Deles.

Quero falar de como podemos tornar o mundo um pouco mais Delas...

Quero contar e cantar a Arte D'Aquelas Mulheres: Bruxas, Magas, Feiticeiras, Fadas, Cortesãs, Esposas, Mendigas, Drogadas, Artistas, Bailarinas, Filhas, Mães e Avós...

Nesse mundo Eva é aceita porém subjugada, e Lilith... rsrsrs

Eles tentam calar, amordaçam nossas Liliths, é hora de lutar por nosso direito ao prazer e a magia de ser Mulher.

Eu sou uma Guerreira de Lilith!!! E nós Somos Muitas!!!

Aquela Mulher

domingo, 15 de abril de 2012

Conjecturas do Eu no Mundo



Eu estou com um medo persecutório de mim mesma
Por me encontrar desencontrada em tudo que vejo
Tudo eu em meu nárcisico objeto de desejo
O Mundo se parece comigo
O Mundo não se parece comigo
Apenas Eu...
Que me pareço e distancio desse mundo
Seguindo meu Círculo completo
Num pequeno ponto 
Onde Eu sou o Mundo
Onde o Mundo sou Eu
E Eu sou o Círculo
Sagrado és tú: Número Zero
Começa e termina
Louco que determina decimais
Nesse Mundo tão terreno, tão denso
Que seria deste Mundo tão astral, tão étereo...
Se não fosse o conhecimento do sagrado
(ao qual todos se voltam em seus momentos finais)
Eternizados pelas mãos de poetas
Concretizados por nossos atores
Esses são nossos Rituais
Vivido por todos os humanos
Desconhecedores fiéis do conhecimento do sagrado
Sou magia e escultura em processo
Contornos e detalhes da minha obra de arte
Gosto dos artistas da personalidade, 
Estou revelando minha outra metade
Antes viviva em escuridão
Projetada na imensidão - Desse Mundo
Esse Mundo? Que tem de mim nesse Mundo?
Que Mundo tem em mim? O que do Mundo tem em mim?
O que do Mundo tem em mim que já não seja meu por natureza?
E se é da natureza, então é do Mundo
Não é de se estranhar que as pessoas fiquem loucas
Observar e aguentar os bastidores.
O que acontece atrás da cortina?
Que condiciona, que organiza, atrapalha e facilita esse espetáculo...
Conjecturas persecutórias de descoberta...
Elas poderiam ser eternas...



Mayra Portela

sábado, 31 de março de 2012

Acontecência



Eu sou uma personagem
Apropriada de mais 
Por já ter sido e ser eu
Em tudo que se faz e refaz
Desistida amante
Para quem tanto faz
O presente, o distante
Sou casada com o Acaso
Eremita andante
Senhor de todo acontecer
Tudo possibilidade em potência
Sem lembrança
Sem esquecer
Sou desistência do controle
Em todo vir a ser
Feminina acontecência
Desafinando aquilo que é igual
Sem bem nem mal
Com bem com mal

Mayra Portela

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

...Nunca mais...nunca mais....


Ai essa hora que não passa
Esse tempo é uma desgraça
Vou aprender a reviver
Longe do que antes foi perto
Sozinha em hora de aprender
Esquecer o passado
Tentando encontrar meu certo
Meu centro eternizado
Que nunca foi encontrado

Tira-me ao peito essas fatais
Garras que abrindo vão a minha dor já crua."
E o corvo disse: "Nunca mais". (Edgar Allan Poe)


Queria descobrir em que parte do passado fiquei presa...
Qual a minha incerteza?
O que me faz ficar assim?
Perdida
Um eu fora de mim
Queria que me dissessem....
O que foi que aconteceu?
Se me mataram se me amaram?
Se se foi...
Se se perdeu?
Que parte de mim morreu?
E quem resta, no que resta
A vida amiga/inimiga me testa
E se atesta de manter-me em minha compulsão
E tão saudosa solidão que antes eu queria
Que me parecia delícia de liberdades mil
Mandou-me a puta que pariu
E na lua cheia do cio
Meu miado de tristeza
Predadora
No fundo presa
Só resta uma certeza
Agora quero ser só eu por mim
E enfrentar difícil como é assim...
Onde isso começou?
Na infância? No meu primeiro amor?
Me perdi no que passou
Bebendo do passado
De um cálice mais puro licor
De dor de sangue de fervor
Por que ele jaz escondido?
Meu palco de cortinas fechadas
Ninguém pode ou consegue ver o cálice
Cálice coberto por cortinas de tristezas cristalinas
Tudo ilusão
Vejo o meu véu - minha mentira
Forjada em puro barro
Minha latente decepção
Doía muito mais
Por que esse gosto amargo eu desconhecia
É um nunca mais!
Uma impossibilidade plena
Cadáver jaz
Nunca mais me persegue
Me segue
Certificando sua própria ciência 
Como se até ele, frio como só ele, talvez a morte, tivesse dúvida de sua própria possibilidade em eternidade
Não se pode prever o destino, sei bem, por procurar escutá-lo em todos os seus sinais, por mais que se saiba, do absurdo em pequenos detalhes, esse acaso...
Esse acaso é tão astuto que ninguém nem nada o escapa, mas deixa seus rastros, sincronicidades, e me vejo, feito detetive investigando pistas, buscando suas marcas. Sou boa nisso, mas, ele é pura ironia comigo, e conhece bem as pistas, as vezes recados que deixa.
O recado dado esta claro - É nunca mais quem me espera
Livrar-me desta gigante quimera
Perdoar o que já era
E Quem me dera, sonhar com um outro dia...

Mayra Beleza Portela


domingo, 29 de janeiro de 2012

Reerguer minhas colunas!

E de novo...



As velhas coluna ruiam de par em par
Tudo ameaça
A vozes que antes acalentavam
Hoje são movidas por torpes mãos 
Rasgaram todos seu véus
E sou eu de novo em mil demônios
Os cães dos céus cantam suas hostes
E eu queria muito que dessa vez 
Que Deus tivesse aqui, 
Não em mim, em tudo ou na natureza
Em vez de Deus, existe eu.
Existe o mundo e além
Um lugar cheio de eu
Um lugar cheio de ninguém
vazio e frio de se viver
Talvez o único lugar para escolher
Hoje tudo lembra você
Jaziam no chão, as colunas do meu templo
As imagens dos antigos deuses hoje foram vendidas
E talvez também as nossas vidas
Onde em esquinas despercebidas
Todos se olham... ninguem se vê
Até você...
Eu não vejo mais você
Eu não vejo mais por que
Fui deixada a sós com meus escombros
Fui deixada a sós em minhas ruínas
Sacerdotisa do templo, sem templo
Pelos seus destituída
Eu acredito nessa vida
Eu procuro uma saida
Entre os restos dos meus deuses machucados
Ouviram sete vezes meus gritos 
Enlouquecidos, apaixonados
Eu sempre tive fé
Em cada minha palavra, gesto ou respiração
Eu busquei meu caminho
Concretizar o meu destino
Traçando com amor 
Tudo que ensino
Agora paraíso perdido,
me passe sua senha
É preciso tempos de paz
Em tempos de guerras
foi preciso tantas eras
Palavras, feitiços, feras
Quando no silencio da noite que cai delicada, 
Sou eu, minha deusa, minha alma dilacerada
Só.
Contando os dias, sonhando em reerguer minhas colunas...


Mayra Portela

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A VINDA DE NINGUÉM


BEM VINDO!



Eu queria atravessar os mistérios da morte
Para ser e ser com sorte, livre do que me repudia
Esse inconstante chato enfadonho todo dia
Que medonho perseguia
Minhas luzes a piscar
Foram-se gemeos - par em par
Olharam-se ébrios
Que fingiam aos sóbrios
saber menos do que eles sabiam
 velozes
Ouçam todos: Nossas vozes!
Ouvi dizer...
Já não foram atrozes
 e deuses de tempos distantes
Trajaram planetas, anéis e diamantes
Romperam por eras os misterios velados
Revelando de opostos apaixonados
Alquímica conjunção de fato simbólico
Tecido um véu macrabro diábolico.
E Ninguém vem no entardecer...
Refizemos nossas vestes
Invocamos nossos nomes
Consome tempo... consome...
Consome e vê se some
 da minha conta
do meu pesar
sufocar
Agora se refaz o mundo pronto para acabar
E já me via
E perseguia minhas luzes a piscar
Foram se esvaindo
Os mesmos antes - par em par
Beijaram-se ébrios
Sucumbem os sóbrios
Consomem
Com som e tempo some
Velozes
Ouçam todos: Nossas vozes!
Ouvi dizer...
Já não foram atrozes
 e deuses de tempos distantes
Trajaram planetas, anéis e diamantes
Romperam por eras os misterios velados
Revelando de opostos apaixonados
Alquímica conjunção de fato simbólico
Tecido um véu macrabro diábolico.
E Ninguém vem no entardecer...



 Mayra Beleza Portela

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

(retornam...)



Quem eu sou, por um momento 
Se esvai no vento
E essa história sentimento
Me lembro quando olho para você
Quando no outro a gente se vê.
Sabedoria
Estrela de fogo e guia
Por que foi triste esse entardecer
Um caminho tão curto 
Parece tão longo
Quem eu fui naquele tempo
Reside ainda inteiro
Parecia distante
Quase esquecido
Passado perdido
Aos que ficam aos que vão
Resta a paz que nos guarde
O Equilibrio que arde
Acredita renascer 
Estou aqui para viver
(por você)
Minha rosa estrela erguida - era você.



Mayra Beleza Portela

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

COM TEMPO OU SEM TEMPO?




Essa  é a história de uma mulher que de tão burra virou gênio
Que de tão muda transbordou
Que do nada pode cantar a história
De onde começa e do que acabou
Palhaço, doida ou heroína
Reinado mártir da felina
Caça palavras ideal
Linguagem falha
Síntese?
História sem igual
De bem e mal
Sem bem e mal

Trabalhadora vagal..... (ops Que horas são?)*pensa*

Preciso correr, precisamos correr, é tarde!

Anda tropeçante e derrubando a bolsa, ainda sonolenta, observa as árvores desando o céu, e saúda Deus por existir, com seu penoso ar de agradecimento,( que culpa tinha se lhe parecia difícil ter que considerar-se culpada pelo pecado de não saber agradecer a vida).

Nessa hora era ela pecadora, e ela mal havia acordado, quase ao chegar a seu Destino, descobre-se adiantada! Sorri alegre!
Estar adiantada era tudo de bom no universo, como se Cronos como um bom avó lhe agraciasse com doces. Ia fumar cigarro, apreciava o fumo desde menina.


Adiantada mulher

Ei? Aonde me jogaram?
Eu não conheço suas regras, e descobri que desde que nasci não sou vossa convidada de honra, sou em vós e por vós, e tudo que sou sou por essência.
Que tipo de idiota, vulgarizaria as funções de vida de modo tão diferente de ser aquilo que se é.
O que digo é que: DEUS, EXISTIR JÁ ME DÁ MUITO TRABALHO.
Pecado gigante foi o teu ao inventar a preguiça...
Bocejante olha o céu a espera de respostas.
Por que me calaram? Tiraram de mim o direito de impor-me, obrigaram-me a vestir o uniforme dos falsos, e preocupam-se todos os dias em condicionar-me, em domesticar-me pelo puro prazer de transformar meu poder em trabalho, e vender-me prostituta, ás misérias ínfimas desse sistema.
Eu realmente tenho alguma coisa haver com isso?
Tenho culpa se nasci num mundo que hoje cresce a engolir-se? Poderia parecer prepotente, mas deveríamos, e temos questões maiores, questões de prazer real, e talvez possibilidade de... um SENTIDO.
Enquanto perco-me em pequenas futilidades e burocracias de um sistema falido, aprendendo a detestar o conhecimento que amo, por raiva de ser obrigada a ser, de ser obrigada a fazer de um jeito que simplesmente tolhe o que sou.


Chega Ela, e diz:
O cigarro esta acabando, aonde vamos chegar com isso? Caso não tenha percebido ainda estou atrasada. Sempre estou atrasada, e nunca permito o ócio, o que não se faz é o que se pune, aqui valem as leis de nossos interesses, e vamos manter nossas armaduras brilhando, nossas mascaras na cara, e dançar com eles, frias e fatais, a sua dança de dominação: olhos no olhos, enfrentando demônio dançante com as limitações por ele impostas para que eu entrasse em seu jogo.
Nós dançamos a milênios, ninguém vence e ambos sempre morrem, e eu sempre estou dançando, eu não paro, e não há possibilidade de atrasar-se para próxima dança? Não não existe essa possibilidade.

Assustada, como quem viu assombração, responde  tensa:
Estou adiantada. É meu único direito aproveitar cada momento, as coisas aqui não são eternas, e são pequenas, delicadas, sistemas simples e fáceis de quebrar, aqui o não vulgar é mais mágico que no céu – felicidade.
Talvez tão bela por ser aqui tão rara.
Estou realmente adiantada, vou fumar outro cigarro, gostaria de consumir meus minutos de vida em paz se me dar licença, eu não estou atrasada, nem interessada em dançar mascarada pela eternidade, estou realmente preocupada em como posso me divertir nesse lugar!

Ela começa a ficar brava, e ríspida responde pegando forte a mão da outra.
Escuta aqui nós não temos escolhas, apaga o cigarro nós vamos dançar que estamos atrasadas, agora quero estar pronta para deliciosamente vender cada pedacinho da minha alma para uma instituição sem sentido. Levanta a cabeça fria, e olha fundo nos olhos da outra.
Silencio.
Ela gargalha.
Coloque em mim filha pura do caos original a tua discórdia, que te acalento em meu seio, sinta cheiro de vodka, deposite em meu ventre a raiva cega de ver o que me tornei e és, a raiva de estar aqui pequena, animal... adiantada? Teu tempo é tarde demais, nunca da conta de si mesma, e isso é sofrimento. Me pinte de exu, e sim eu sigo leis. Ela toma da outra o cigarro o termina em um único trago, solta fumaça... desaparece.

A outra assustada olha no relógio: já estava 5 minutos atrasada para seu destino.


 Depois de repetir esse padrão de comportamento milhares de vezes, pensei em procurar alguém que me concertasse ou o relógio, ou o destino.
Consertar a mim – eu relógio ou eu destino?
Quem vem primeiro o ovo ou a galinha.
Bem vindo ao meu maldito paradoxo, a insanidade de minha angustia, ansiedade, finitude.
O tempo impõe doenças...




Mayra Beleza Portela